segunda-feira, 21 de julho de 2014

Se Despir...


Quando levar alguém para fazer amor, faça nu.
Tire tudo o que vai atrapalhar uma boa foda.
Meu conselho é para se despir.
Mas antes de tirar suas roupas,
Tire primeiro toda vaidade.
Tire seu ego,
Os diplomas,
O status,
O sucesso profissional,
O tamanho do seu salário,
A chave do seu carro,
Os cartões de crédito,
O tamanho da sua conta bancária,
As curtidas no Facebook,
Suas etiquetas de grife.
Tire tudo que atrapalhar.
Até sobrar a troca de cumplicidade,
O carinho,
O amor,
E após fazer tudo isso e sobrar mais vontade nos dois.
Estarão prontos para uma apimentada relação.


Texto: Se Despir
De: Diógenes Ramos

sábado, 3 de maio de 2014

Foder Melhor


Hoje acordei com vontade de desabafar.
Ah! Eu não sei o que tenho em minha cabeça;
Mas preciso dizer algumas verdades.
Ele foi entrando na sua vida como quem não queria nada,
E quando menos esperava,
Me cortou com uma lâmina afiada.
Quase bati no primeiro poste quando descobri quem era.
Vi que já não tenho nenhuma chance com você.
Ele é realmente lindo!
Muito lindo, eu diria!
Parece um príncipe em roupas de gala.
Ele é mais bonito do que um dia eu jamais serei.
Mas tenho minha dignidade,
E quero que saiba uma coisa:
Ele até pode foder gostoso,
Mas eu sempre vou foder melhor.
Do jeito que todos falam dele tenho um pouco de inveja sim,
Todos desejam ser belo como ele,
Porém você sempre vai se lembrar de mim na cama,
E será meu nome que vai querer gritar quando gozar,
Porque ele, meu bem, pode te foder gostoso,
Mas eu sempre vou te foder melhor.
Aposto que ele deve ser mesmo muito lindo,
E te amará profundamente,
Mas nunca como eu te amei.
Você quer esconder essa verdade,
Mas nós dois sabemos,
Ele pode te foder bem,
Mas será em mim que irá pensar,
Porque eu sempre vou te foder melhor.


Texto: Foder Melhor
De: Diógenes Ramos
Dedicado: Renan Torini

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ApAiXoNaDo


Agora já não posso negar,
Eu estou apaixonado por você.
Estou apaixonado por você, e me recuso a negar esse sentimento.
Eu sei que tudo nessa vida é incerto,
E que um dia iremos morrer,
Mas não importa,
Pois estou apaixonado por você.
Sei que o amor é apenas uma ilusão que criamos em nossas mentes,
E que esse sentimento nobre as vezes titubeia,
Mas estou apaixonado por você.
Sei que cada dia nos aproximamos do fim,
E a cada dia vivido é um a menos de nossa existência,
Mas estou apaixonado por você.
Sei que um dia voltaremos ao mesmo pó de onde viemos,
Mas é inevitavél,
Eu estou apaixonado por você.
Sei que essa terra um dia não existirá mais,
E que todos nós seremos engolidos pela onda do mar,
Ou pelo calor do Sol,
Mas eu estou apaixonado por você.
Sei que existem guerras e disputas de territórios,
Que existem bombas e matanças,
Que o ser humano tem se odiado cada dia mais,
Mas eu estou apaixonado por você.
Sei que existem pestes,
E doenças incuravéis,
Terremotos e avalanches,
Mas não importa,
Porque eu estou apaixonado por você.
Ainda que para te ver eu corra o mundo todo,
E que Carmo fique milhões de quilômetros mais distante,
Mas eu faria esse percurso mil vezes,
Por mil anos,
Porque eu estou apaixonado.
E apaixonado...
...por você.




Texto: ApAiXoNaDo
De: Diógenes Ramos

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Carta a Presidenta


Prezada Excelentíssima Presidenta. 

Será que me daria a honra de um passeio para te mostrar algumas coisas?
Poderíamos ignorar o fato de um ser superior ao outro e agirmos feito humanos,
Apenas humanos de carne e osso.
Tenho muitas dúvidas em minha cabeça jovem que gostaria de tirar com vossa excelência.
Espero que seja ao menos honesta em me responder sem se preocupar com protocolos.
Será que seria capaz disso?
Como se sente quando vê muitos desabrigados nas ruas, enquanto passa no seu carro presidencial, cercada por seguranças que nunca deixarão eu me aproximar de você para conversar ou cobrar o que prometeu?
Como tem vivido em paz enquanto há tantos moradores de rua e mendigos vivendo debaixo do mesmo sol que o seu?
O que sente quando passa por essas pessoas que são iguais a você e que vivem em condições subumanas?
Responda-me francamente.
Por quem reza todas as noites antes de dormir?
E para que Deus dobra os seus joelhos pedindo misericórdia para essa nação onde tantos roubam e muitos não tem o que comer?
Será que não se olha no espelho todas as manhãs, quando vai para o seu trabalho às onze da manhã, enquanto um trabalhador honesto sai de casa as cinco da madrugada e pega três ônibus para chegar ao seu destino?
Você se sente orgulhosa por isso?
Você sente orgulho de ser chamada de PRESIDENTA quando na verdade suas preocupações deveriam ser igualdade a todos os moradores dessa nação?
Como tem dormido todas essas noites?
Quais são os seus sonhos?
O que pensa quando uma esposa não pode dar adeus ao marido que foi morto em um assalto quando estava indo trabalhar?
E não me diga que a culpa não é sua, porque quem puxou aquele gatilho foi você e todos os outros governantes que não deram educação e oportunidades aquele assaltante.
Será que conseguiria me olhar nos olhos e responder as minhas perguntas?
Excelentíssima Presidenta,
Nós não somos burros e muito menos cegos,
Será que precisamos fazer uma guerra com armas e bombas para que nos vejam como cidadãos?
As nossas crianças conhecem o crime cedo demais, quando ainda deveriam acreditar em Papai Noel.
Enquanto a você, constrói monstros que vão para o inferno e nem se importa com isso.
Uma mãe nunca deixaria de amar seu filho se não tentasse até o último suspiro para regenerá-lo.
Que tipo de mãe é você Presidenta que não pensa no bem maior a todos?
Você deveria ensinar o amor entre todos, pois uma mãe jamais abandona um filho.
Seja ele mendigo, pobre, mulato, gay ou negro.
Será que você sabe alguma coisa a respeito de trabalho duro?
Será que sabe como uma mãe vive com um salário mínimo e uma criança na barriga?
Você não sabe nada de trabalho duro.
Trabalho duro é não ter o que comer, o que vestir ou onde morar.
Você não imagina o que é passar necessidade.
Você não imagina como dói sentir fome.
Você não imagina o que é ver um filho passar necessidade sem poder dar a ele o que você desperdiça no seu café da manhã.
Será que consegue olhar nos meus olhos e responder, Sra. Presidenta?
Como consegue dormir enquanto nós choramos?
Será que seria capaz de ser um terço do que Mandela foi para o seu povo?
Não precisava ser igual a ele, pois isso minha pobre lógica já sabe que será impossível,
Eu tenho certeza que se fosse pelo menos um terço algo já mudaria nesse país.
Será que me daria a honra de um passeio, Sra. Presidenta?
Eu daria.


Texto: Carta a Presidenta
De: Diógenes Ramos
Inspiração: Pink

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Monólogo De Um Assassinado


Eu não era uma pessoa normal. Certamente isso pesou muito para que eu fosse tirado da terra. Eu era livre de regras, de rótulos e do medo. Na minha pobre lógica eu buscava apenas ser feliz. 
Sinceramente eu não entendo como as pessoas defendem uma ideia e matam por ela.
Não entendeu nada não é mesmo? Calma, eu explico.
Eu era o primeiro de minha turma, tinha uma inteligência assustadora, era um exemplo para minha família. Minha mãe só recebia elogios sobre mim. Estava prestes a concluir minha faculdade, e sim, eu era muito bonito, pelo menos algumas pessoas diziam isso (risos). Ah, já estava me esquecendo, eu, dentre todas essas qualidades, também era gay.
Era uma manhã linda de domingo. Decidi passear no parque com uns amigos e meu namorado. Tinha vinte dois anos quando isso aconteceu, o sol estava lindo aquele dia, eu lembro o cheiro do verde acredita? Os pássaros cantavam livremente, então de repente, sem que ninguém esperasse aquela reação, eu tirei os chinelos e saí correndo pelo jardim. Todos me olharam e riram. Alguns pensaram que eu estava ficando louco, outros que estava bêbado, mas eu só estava feliz. Felicidade são os momentos bons da vida, e aquele era um dos meus melhores.
Eu me lembro que meu namorado veio até a mim e me beijou na frente de todos que estavam ali. Aquele beijo foi lindo, então eu falei:

-Me beija de novo, pois estou adoecido de amor.

Sem se importar com quem estava ao redor ele me abraçou e fez mais uma vez e eu correspondi. Depois olhou nos meus olhos e disse:

-Fica comigo para sempre que eu viro o vento, me escolhe, me ame, me leve.

Eu estou tentando esquecer essa cena, mas desculpe-me, esse registro vai ficar gravado para sempre em minhas recordações, pois foi um dos últimos de minha vida.
Naquela mesma manhã eu morri de uma forma brutal. E sabe qual foi o meu erro? Eu era gay. A minha felicidade não me deixou perceber que entre as árvores, uma sombra escura observava minhas atitudes. Eu nunca me preocupei com o ser gay e nem com o que os outros fossem pensar. Dos meus problemas, esse era o menor. Eu sou o que eu sou e isso para mim bastava, mas não é assim que a maioria pensa. 
Eu só queria que esse câncer social fosse extinto antes que aconteça com outros o que aconteceu comigo.
Eu me lembro que fui pegar uma água. Meus amigos ficaram deitados na grama. Caminhei sorridente entre as árvores até chegar a outra parte do parque, e sem que eu percebesse, aquela sombra me seguiu, quando estava quase alcançando o outro lado, uma voz atrás de mim disse que eu não merecia estar sobre essa terra. Quando me virei senti uma pancada muito forte sobre minha cabeça e caí no chão. Não conseguindo me mexer ouvia apenas uma voz muito distante dizendo que eu deveria morrer e não viver para contar história, pois "bichinhas" como eu não deveria nem ter nascido. Então senti mais duas pancadas sobre minha cabeça e apaguei para sempre.
Não deu tempo de gritar, não deu tempo de pedir socorro e eu fiquei ali jogado no chão, com a cabeça toda ensanguentada e o socorro de que precisava só veio quando os meus amigos sentiram minha falta e foram me procurar, mas já era tarde demais.
Eu morri aquele dia, mas não foi só eu, minha família, meu amigos e os meus sonhos.
Não morri somente por ser gay, morri porque eu aceitei ser feliz.

Cuidado! Infelizmente ainda têm muitos desses por ai e não quero que aconteça com você o que aconteceu a mim.



Texto: Monólogo De Um Assassinado 
De: Diógenes Ramos

sábado, 2 de novembro de 2013

O Anel


Não vai doer se me tirar o anel cravejado de diamante,
Coisa pior você fez com o meu coração,
Vão os anéis, ficam-se os dedos.
E como um prêmio você guardou o meu coração na sua coleção,
Suspirou como um vencedor por ter conseguido o seu troféu. 
Dói saber que ainda sou um romântico.
Ai de mim que sou assim.
Me senti rejeitado,
Mas eu darei a volta por cima,
Eu sempre dei voltas longas,
Mas te agradeço por me mostrar um novo caminho.
Vou viver como um robô,
Seguir a partir de hoje sozinho,
Garantir que não ficarei prostrado,
E o que eu posso dizer a partir de agora é:
Pena que você não me quis.
Não pulei de um precipício por muito pouco,
Mas é isso que eu digo, baby,
É uma pena que você não me quis,
Porque você valeria por mil prêmios que eu ganharia,
E se pudesse ao menos me dar um dia me amando de verdade,
Eu seguraria o meu orgulho,
E viveria esse dia sem nem olhar no relógio.
Mas agora é tarde demais para dizer que te amo.
Por que o tempo não voltará jamais.




Texto: O Anel
De: Diógenes Ramos

sábado, 26 de outubro de 2013

Dure enquanto é carnaval


Eu queria um amor,
Não daqueles que nos deixam cicatrizes,
Mas daqueles que nos fazem pessoas melhores.
Eu queria um amor,
Podia até não me fazer bem,
Mas que também não fizesse mal.
Eu queria um amor,
Que me tirasse da cama em um dia frio,
Mas que me deixasse dormir por horas, caso estivesse cansado.
Eu queria um amor,
Que me beijasse com uma fantasia,
Mas que pelo menos dure enquanto é carnaval.
Eu queria um amor,
Desses que se encontra por ai,
Felicidade é um bem que todos devem ter,
Ser feliz é algo tão natural para viver.
Eu queria um amor,
Não daquele ciumento em extremos,
Mas que se importasse comigo e sentisse saudades.
Eu queria um amor,
Que curasse todas as minhas feridas,
E se não pudesse me curar, ao menos que amenizasse a dor.
Eu queria um amor,
Que vivesse comigo as minhas melhores histórias,
E caso tivesse que me deixar,
Que me mostrasse que caminho seguir em busca de outro amor.
Eu queria um amor,
Que dançasse como se não houvesse ninguém por perto,
Ou que dançasse apenas para mim.
Mas que dançasse.
Eu queria um amor,
Qualquer um amor,
Mas que pelo menos dure uma estação.
E que ainda assim, me faça acreditar que foi minha melhor estação.
Eu queria um amor,
Que subisse montanhas para me ver,
E que se chegasse cansado ao topo,
Apenas um beijo meu repusesse suas forças.
Eu queria acreditar no amor.



Texto: Dure enquanto é carnaval
De: Diógenes Ramos

Livros - Diógenes Ramos

  • Cicatrizes - Toda Forma de Amor
  • No Meu Céu
  • O Violinista
  • O Bailarino